UM SÁBADO À NOITE PODE MUDAR SUA HISTÓRIA
- contosdosidao
- 7 de ago. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 30 de ago.

Era uma noite de sábado. Não havia nada para fazer, um tédio! Vesti um terno completo, borrifei o melhor perfume, era mês de agosto, final de inverno, as temperaturas ainda estavam baixas. Peguei meu carro e rodei a cidade, quase todos os lugares estavam vazios. Passei em frente a uma boate, algumas pessoas ainda entravam. Achei o local agradável. Estacionei o carro num posto de gasolina e entrei na festa.
Dentro do lugar, muita gente nas proximidades da pista de dança; fui ao bar. Com o copo na mão, circulei pela casa, a pista ficava num patamar abaixo do mezanino, apenas dois ou três degraus. Acomodei-me com vista para a pista, que enchia a cada bom set de música escolhido pelo dj.
Notei que duas garotas se posicionaram atrás de mim. Na ponta dos pés, elas tentavam se esticar para enxergar a pista. Puxei algum assunto, e pedi uma gentileza: pedi para elas guardarem meu lugar por instantes enquanto eu iria até o bar.
No bar, sentei aguardando o novo drink, fiquei por lá até me lembrar de voltar ao mezanino. Quando retornei, apenas uma garota se encontrava no espaço que eu havia cedido.
A pista de dança seguia cheia, eu me aproximei daquela mulher. Agradeci por ela ter guardado aquele espaço disputado. A música seguia animada. Convidei-a para beber alguma coisa. Ela aceitou e me acompanhou ao lounge da festa, um espaço confortável e bem mais tranquilo. Engatamos uma longa conversa descontraída. Um bom tempo depois, um garçom nos avisou que a boate estava prestes a fechar. Estava amanhecendo.
Na saída da boate, ofereci a ela uma carona até sua casa. Ela agradeceu, também estava de carro. Então eu disse que meu carro iria acompanhá-la em seu trajeto, como se fosse um batedor a prestar um serviço de segurança. Ela topou.
Quando chegamos próximo à garagem de seu prédio, eu acenei de longe, e segui meu rumo. Dela, fiquei apenas com o número de telefone trocado. Rimos de uma coincidência: os números tinham dígitos quase iguais, apenas dois algarismos eram diferentes.
A noite estava terminada. Ela havia me dito que no domingo faria um novo passeio com as amigas. Não levei isso como um convite. Deixei o domingo passar.
Passaram-se três dias, e eu ainda não havia recebido qualquer sinal daquela garota. Resolvi tomar a dianteira.Liguei para o número de telefone por ela anotado. Uma senhora atendeu. Naquela hora, ela não poderia ser encontrada. A senhora, identificando-se como a mãe, resumiu que a filha havia viajado para um congresso na serra, pelo menos a duas horas de distância de carro.
Agradeci a informação, e pedi o nome do hotel no qual ela estaria hospedada. Explicou que não sabia o nome do hotel, disse que seria bem difícil de descobrir, já que existiam centenas de hotéis naquela região. Prometi que iria descobrir, sozinho.
A partir dali, comecei a ligar para todos os hotéis da serra encontrados numa lista telefônica. Solicitei aos atendentes que, se houvesse alguma mulher com nome dela naquele estabelecimento, que me retornasse naquela noite de forma urgente.
Eram vinte e três horas quando o telefone tocou. Era ela, admirada com minha busca certeira. Indagou-me como eu sabia que ela estava justamente naquele hotel. Mal sabia ela a quantidade de ligações inúteis realizadas antes de encontrar o destino.
Conversamos sobre o final de semana anterior, sobre os seus planos daqui para frente, e eu tive uma ideia que a surpreendeu. Prometo que conto a vocês o que se passou a partir dali numa próxima ocasião.
Desliguei a ligação, e logo depois fiz uma nova chamada para aquela senhora, a mãe. Informei a cidade, o endereço e o quarto de hotel onde estava a sua filha. Ela, embasbacada, até hoje me pergunta, como eu consegui saber do paradeiro de sua menina.
Posso antecipar que já são mais de trinta anos daquela ligação, da mais íntima convivência, desde quando a conheci. Aquele sábado à noite mudou a história da minha vida.
Autor: Sidnei Duarte
Revisor: Ulisses Correa Duarte
Imagem: Arquivo Pessoal.




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