FOI SALVO POR UMA BALA NÃO DISPARADA...
- contosdosidao
- há 1 dia
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Escrevi outras crônicas sobre o tema, pois foram 12 meses.
Testemunhei situações extraordinárias, como suicídios e “otras cositas más”.
Certo dia fui acordado para ir buscar o pão e o leite para o café da manhã dos soldados. Passei pelo corpo da guarda para ir buscar às 2 horas da manhã.
No retorno, havia sempre um superior no corpo de guarda. Ele me chamou e falou:
- Guerreiro, vamos até os fundos do quartel. Há algo estranho acontecendo. A sua pistola está contigo?
Respondi: – Com certamente.
- Então vamos lá.
Ao chegar, o soldado da guarda estava com o fuzil em posição de tiro. O Sargento, por sua vez, não conseguiu compreender a razão da mira do soldado. De fato, o lugar não possuía uma boa iluminação.
Iluminei com a viatura e entendemos que se tratava de um paciente do Hospício São Pedro que estava vindo em nossa direção. O sargento ordenou:
- Não dispare!
Pegamos o louquinho e o colocamos na cela existente no interior do quartel. Ele recebeu um bom tratamento, com comida e cuidados. No dia seguinte, tivemos que levar o maluquinho para o hospício. Fomos, o sargento, eu e o louquinho.
Na chegada passamos a conversar com o médico. O louquinho agitado saiu correndo da viatura. O sargento olhou pra mim e fez a pergunta:
- Você está com arma? Confirmei. - Sete munições E um carregador de reserva.
E, ao falar com o médico, surgiram vários louquinhos. O sargento me encarou e disse:
- Destrava a pistola. O que foi feito.
No entanto, os mais exaltados, ao tomarem conhecimento do que havia acontecido, formaram uma fila indiana para expressar a gratidão. O sargento retornou para mim, com um olhar de espanto nos olhos.
Ele afirmou: - Guerreiro te prepara. Isso está estranho.
Na verdade, os louquinhos somente queriam agradecer o gesto de trazer o amigo de volta. Era apenas um agradecimento. Fiz o possível para ocultar a pistola.
Aquela fila mencionada, na qual cada louquinho se aproximava para nos cumprimentar com um aperto de mão, parecia não ter fim. O que acontecia era que eles cumprimentavam e depois voltavam para a mesma fila.
O médico, então, disse: - Agradeço por ele estar vivo e sugiro que vocês vão embora porque essa fila não vai acabar tão cedo.
Pegamos a viatura e voltamos ao regimento sem dizer uma palavra somente rindo. Que situação!!!
São esses acontecimentos que ainda conseguem tocar nossos sentimentos. Por pouco que o louquinho não passou para o outro lado.
Toda a vida preservada tem o seu valor. Mas essa passou perto!
Autor: Sidnei Duarte
Revisor: Luiz Pavão (Cel.)




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