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FOI SALVO POR UMA BALA NÃO DISPARADA...

  • contosdosidao
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

Escrevi outras crônicas sobre o tema, pois foram 12 meses.

 

Testemunhei situações extraordinárias, como suicídios e “otras cositas más”.

 

Certo dia fui acordado para ir buscar o pão e o leite para o café da manhã dos soldados. Passei pelo corpo da guarda para ir buscar às 2 horas da manhã.

 

No retorno, havia sempre um superior no corpo de guarda. Ele me chamou e falou:

 

- Guerreiro, vamos até os fundos do quartel. Há algo estranho acontecendo. A sua pistola está contigo?

 

Respondi: – Com certamente.

 

- Então vamos lá.

 

Ao chegar, o soldado da guarda estava com o fuzil em posição de tiro. O Sargento, por sua vez, não conseguiu compreender a razão da mira do soldado. De fato, o lugar não possuía uma boa iluminação.

 

Iluminei com a viatura e entendemos que se tratava de um paciente do Hospício São Pedro que estava vindo em nossa direção. O sargento ordenou:

 

- Não dispare!

 

Pegamos o louquinho e o colocamos na cela existente no interior do quartel. Ele recebeu um bom tratamento, com comida e cuidados. No dia seguinte, tivemos que levar o maluquinho para o hospício. Fomos, o sargento, eu e o louquinho.

Na chegada passamos a conversar com o médico. O louquinho agitado saiu correndo da viatura.  O sargento olhou pra mim e fez a pergunta:

 

- Você está com arma? Confirmei. - Sete munições E um carregador de reserva.

 

E, ao falar com o médico, surgiram vários louquinhos. O sargento me encarou e disse:

 

- Destrava a pistola. O que foi feito.

 

No entanto, os mais exaltados, ao tomarem conhecimento do que havia acontecido, formaram uma fila indiana para expressar a gratidão. O sargento retornou para mim, com um olhar de espanto nos olhos.

 

Ele afirmou: - Guerreiro te prepara. Isso está estranho.

 

Na verdade, os louquinhos somente queriam agradecer o gesto de trazer o amigo de volta. Era apenas um agradecimento. Fiz o possível para ocultar a pistola.

 

Aquela fila mencionada, na qual cada louquinho se aproximava para nos cumprimentar com um aperto de mão, parecia não ter fim. O que acontecia era que eles cumprimentavam e depois voltavam para a mesma fila.

 

O médico, então, disse: - Agradeço por ele estar vivo e sugiro que vocês vão embora porque essa fila não vai acabar tão cedo.

 

Pegamos a viatura e voltamos ao regimento sem dizer uma palavra somente rindo. Que situação!!!

 

São esses acontecimentos que ainda conseguem tocar nossos sentimentos. Por pouco que o louquinho não passou para o outro lado.

 

Toda a vida preservada tem o seu valor. Mas essa passou perto!


Autor: Sidnei Duarte

Revisor: Luiz Pavão (Cel.)

 
 
 

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