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TE LARGUEI DE MÃO

contosdosidao
11 de set.
3 min de leitura

Atualizado: 12 de set.


É uma expressão popular bastante utilizada entre os gaúchos. Há diversos significados: Não insistir em algo que não está dando certo. Desistir de se preocupar com alguém devido a comportamentos que são difíceis ou cansativos ou abrir mão de um hábito ou vício.


Minha amada mãe frequentemente dizia: - Vou te largar de mão.  Eu fui bastante inquieto e irreverente.


Quando deixava de obedecer, o castigo era certo. O que havia de pior era aquele famoso chinelo bumerangue, que sempre sabia para onde ir e voltava para ela ou ficava bem próximo.


Minha mãe foi uma santa aqui na terra e, quem sabe, também no céu.

Errou, não tinha perdão.


Recordo que, em uma ocasião durante o jantar, todos estavam à mesa, exceto meu pai, que estava a trabalhar “Graças a Deus”.


Estava cansado de tantos corretivos e me arrisquei a dizer algo que não recordo, finalizando com a frase “TI LARGUEI DE MÃO”. Foi a frase final, seguida de um bofetada. Eu estava com um pedaço de pão na boca e não é preciso dizer o que ocorreu, o pão se tornou vermelho. Foi merecido.


Em outra ocasião, cometi outra travessura, e o castigo, desta vez, foi bem mais brando a princípio. Minha mãe estabeleceu uma linha imaginária que eu não podia ultrapassar. Chegou a parecer que iria cumprir o que foi estabelecido. Que nada estava colocando o pé além da linha várias vezes. Foi mais um engano da minha parte, pois não percebi que a mãe estava presente, e em questão de segundos, aquele famoso chinelo surgiu do nada, vindo em minha direção. Nesse momento, ao alcançar o alvo, houve tempo suficiente para escapar.


Certa vez, minha mãe encontrou um jeito de aliviar a minha ansiedade. Preencheu um balde com água, adicionou duas pedras de anil e misturou, fazendo a água ficar azul. Logo depois, entregou um pincel e mandou que  pintasse um enorme galpão que tínhamos no pátio. No começo, eu gostei. E lá fui eu pintar o galpão. Eu me senti feliz ao pintar com aquele tom de azul. Mal imaginava que não se tratava de tinta de verdade, e que, ao evaporar, a cor se desaparecia.


Ao concluir os quatro lados, não me considerei derrotado. Eu me queixei sobre a situação, e minha mãe comentou que era necessário aplicar a segunda demão. Mais uma vez, preparou a mistura e eu retomei a pintura fantasma.


Por outro lado, houve um aspecto positivo nessa história: pude ter uma tarde inteira de tranquilidade e calmo. Desde então, desenvolvi um gosto de pintar que perdura até hoje. Agora, claro com tintas de verdade.


Em contrapartida, meu pai possuía muitas habilidades, e eu era bastante curioso. Ele me transmitiu uma variedade de conhecimentos que precisei empregar sempre que era necessário ou quando me pediam.


As punições que vieram do meu pai foram apenas orientações. Só uma vez é que a minha mãe atormentou o meu pai com as minhas travessuras e não houve jeito de fugir. Foi apenas um tapa que, por sorte, atingiu meu ombro esquerdo.


Enquanto jogava futebol com meus amigos na calçada, sem camisa, eles perguntaram por que eu tinha uma marca de mão no meu ombro. “QUE PORRADA” Durante muito tempo, as marcas dos dedos permaneceram como uma tatuagem. Foi o único corretivo desse tipo que meu pai usou.


À medida que fui crescendo, chegou o momento da mudança, e os corretivos deixaram de ser utilizados, especialmente porque eu já havia compreendido que não se deve lutar contra a maré.


Meus pais foram fundamentais para que eu desenvolvesse responsabilidade, honestidade e competência, e sou muito grato por isso. Atualmente, sou visto como uma pessoa perfeccionista em tudo que coloco as mãos.


Portanto, os corretivos que recebi, que eram mais do que justos, também me ajudaram a me tornar um homem de bem, do qual me orgulho.


Autor: Sidnei Duarte 

 

 
 
 

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