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NA ALÇA DE MIRA - PARTE 2

contosdosidao
28 de set.
4 min de leitura

Para aqueles que já leram o conto completo “ NA ALÇA DE MIRA - PARTE 1”.  Vai entender a PARTE 2.


Reprisando uma pequena parte do conto PARTE 1:

No final do período de 12 meses encerrando o período de recruta, fui chamado pelo comandante, que me incentivou a seguir a carreira militar, entendendo que eu tinha muito potencial. No entanto, era uma quantidade significativa de compromissos e, no fim, eu não aceitei.


O comandante manteve as portas abertas para o caso de uma mudança de direção na minha vida. Em 1974, no último dia de prestação de serviço militar, recebi todas as honrarias e condecorações por meus diversos feitos ao longo daquele ano.


Já havíamos entrado em 1975, e com a baixa do exército brasileiro, eu já estava acostumado ao quartel e aos meus colegas soldados, o que me deixou um pouco saudoso.


Parei para pensei: E agora o que vou fazer?


Era preciso buscar um emprego, agora que era civil. Os empregos eram poucos naquela época. Pesquisei nos classificados de emprego de um grande jornal dominical. Procurei um emprego que se encaixasse nos meus conhecimentos aprendidos no quartel.


Corri os dedos nos classificados e encontrei um anúncio: Empresa de medicamentos procura motorista com experiência comprovada.

Pensei que, se não houver outra alternativa, vou seguir por esse caminho. No dia seguinte (segunda-feira), coloquei uma roupa alinhada, peguei uma bolsa e coloquei dentro todas as honrarias que tinha recebido em poucas semanas, e assim me dirigi ao possível emprego.


Ao chegar no endereço da empresa fiquei surpreso ao encontrar uma fila de candidatos à vaga. Não fiz a contagem, mas havia mais de cinquenta pessoas dispostas em fila indiana.


Fiquei analisando os candidatos todos sem exceção tinham mais de 30 anos contra os meus 19 anos. A empresa solicitou experiência comprovada. Muitos candidatos olhavam para mim com pequenos comentários e sorrisos.

Não fiquei preocupado. Esperei. Algumas horas depois chegou a minha vez. Fui recebido pelo recrutador com um olhar diferente de cima para baixo sem qualquer comentário.


Pediu para preencher uma ficha de emprego a qual solicitava informações diversas. Nessa ficha tinha dois espaços um para descrever a experiência e a outra a citar as pretensões no futuro.

Na primeira escrevi: Mesmo jovem tenho uma larga experiência com qualquer tipo de veículos. Na segunda da pretensão escrevi: Ser um dia sócio dessa empresa, (Que audácia).


Ao entregar a ficha que foi lida pelo recrutador deu uma leve risada e balançou a cabeça.


O dono da empresa estava lendo os currículos dos candidatos e lá pelas tantas chegou a vez de apresentar a minha ficha de emprego devidamente preenchida.


Ouvi que o proprietário e o recrutador cochichavam, mas não deu para entender do que se tratava.


Então, de forma inesperada, o recrutador se aproximou de mim e me levou na sala do proprietário, que estava com a minha ficha em mãos.


O proprietário disse: - Meu rapaz com tantos candidatos com larga experiência e você um jovem querendo a vaga?

- Sim senhor gostaria de ter uma chance de conquistar essa vaga.


O proprietário: - Então, por favor, me diga o que você tem a oferecer que é diferente dos outros candidatos.


Pedi licença e coloquei a bolsa que carregava em cima da sua mesa abrindo o fecho e retirando as diversas homenagens que recebi no exército entre as mesmas: Diploma de melhor soldado, estojo com uma placa de agradecimento, uma barreta dourada com listas nas cores vermelho e azul e uma medalha de melhor motorista.


O proprietário arregalou os olhos e exclamou: - Isso tudo você conquistou no exército? Isso é verdade?

- Sim senhor é verdade. Se o senhor quiser pode ligar para o meu comandante.


Pediu de imediato o nome do comandante e o número do telefone. -

O comandante vai me reconhecer pelo meu nome de guerra: DUARTE


E assim foi feito. O proprietário explicou ao comandante o motivo da sua ligação. Eles falaram durante alguns minutos. Depois de desligar o telefone, perguntei: - Senhor, o que o meu comandante disse:- Em resumo, ele fez excelentes elogios  sobre você e pediu, caso não fosse possível lhe oferecer o emprego, lhe convencesse a retornar para o quartel para seguir a carreira militar.


Fiquei feito um pavão. Ele acrescentou: - Além de tudo, você é bastante ousado com suas pretensões no futuro. A vaga é sua.


- Se apresente daqui uns quinze dias porque o veículo está no conserto em decorrência de um acidente com o motorista anterior que já foi despedido.


Disse que não tinha nenhum compromisso e que, se fosse possível, gostaria nesse meio tempo de ajudar na empresa sem salário somente para ocupar o meu tempo.


- Então volte amanhã pela manhã vou lhe encaminhar ao chefe da expedição.


No dia seguinte lá estava conversando com o chefe da expedição um senhor com uma idade avançada. Percorri o depósito com centenas de medicamentos e notei que estavam desorganizados. E sem dizer nada comecei a organizar. Uma semana se passaram e o chefe da expedição notou a minha organização e presteza.


Perguntou se sabia utilizar o kardex. “O Kardex é um sistema ou relatório de controle de estoque que funciona como um extrato individual para cada produto, registrando todas as entradas, saídas e o saldo atualizado feito à mão”.

Hoje o kardex é algo primitivo que controlava a quantidade de saída e chegada de medicamentos de forma rudimentar. Acabei assumindo também esse controle. Claro que o proprietário já estava sabendo de tudo.


Nos dias seguintes, o chefe da expedição enfrentou um problema de saúde e se afastou da empresa. O dono me chamou para assumir o cargo. Prontamente aceitei e tornei-me o chefe da expedição.


O veículo ficou pronto e o dono confiando no cargo que estava ocupando, convocou outro candidato a motorista para assumir a função.


Mais tarde fui promovido a supervisor de vendas colocando outro funcionário na antiga função.


No entanto, alguns anos depois, o proprietário decidiu fechar a distribuidora de medicamentos. Antes do apagar das luzes fez uma nova proposta que seria ser sócio de outra empresa do grupo. Era um novo desafio é claro que aceitei. A partir desse ponto só cresci até o dia que resolvi abrir a minha própria empresa.


Que essa breve história sirva de orientação para aqueles que queiram crescer e sair do lugar comum.


TUDO É POSSÍVEL!!! BASTA QUERER E TER BOA VONTADE!!!


Autor: Sidnei Duarte

Revisor: Ulisses Duarte

 
 
 

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