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RESTOU UMA GRANDE SAUDADE!

contosdosidao
28 de ago.
4 min de leitura

Após tantas idas e vindas, vou compartilhar apenas uma pequena parte do que vivi!!!

 

Faz muito tempo que, juntamente com meu irmão, tomei a decisão de ser o tutor de minha mãe! Uma senhora de 95 anos que já partiu deste mundo!

 

Praticamente, passei 10 anos cuidando dela. Por diversas circunstâncias, ela já estava bem cansada. Com seus passinhos pequenos, apoiando-se nas paredes internas da casa para progredir. Seus olhos fatigados já não eram capazes de enfiar uma linha na máquina de costura, que foi seu símbolo da sua profissão. Não conseguia mais suportar o peso de suas compras, mas ainda se esforçava, teimosamente, para remover a poeira dos móveis, acionar a máquina de lavar e preparar pequenos almoços.

 

Finalmente chegou o dia em que percebi que, após a máquina de lavar cumprir sua tarefa, ela colocava as roupas em um balde e o chutava em direção ao varal. Foi então que tudo ganhou um novo começo.

 

- Mãe, posso ajudar? - Não, eu sempre cuidei da minha vida e não vou parar agora.

 

Fiquei atônito! Agora era o momento de iniciar uma transformação em sua vida. Eu disse: - A partir de agora, a senhora não terá mais a obrigação de fazer nada.

 

Concluí dizendo: - Parei de jogar futebol aos 50 anos, pois já não tinha a mesma energia nem as pernas de antes.

 

Foi isso que eu disse a ela, mas ela não respondeu nada. A partir desse dia, passei a assumir todas as responsabilidades da casa, pois compreendi que aquela senhora, que tanto realizou ao longo de sua vida, não tinha mais condições de continuar a fazê-lo!

 

Recordando um pouco do passado, posso dizer que, quando era criança, eu dormia no mesmo lugar onde ela costurava até tarde da noite. Isso não me perturbava nem um pouco, pois era de lá que recebíamos nosso sustento, junto com os proventos do meu pai. Por essa razão, desfrutamos dos melhores colégios, roupas, calçados e muito mais. Certamente, mas sempre com dificuldades.

 

Mas ela era realmente muito brava! Também me recordo das inúmeras vezes em que levei surras, algumas até faziam sentido, enquanto outras, nem tanto.

 

A expressão que eu costumava ouvir com frequência era: - Espere até que seu pai chegue. Pobre criatura.

 

Quando meu pai perguntava o que o Kico (meu apelido) havia feito de travessura (ele conhecia bem o filho que tinha).

 

Ela apenas afirmava: - Este guri não me obedece! É terrível! Aplique alguns corretivos. Meu pai só faria isso se tivesse uma razão muito convincente.

 

Meu pai respondeu: - Esse guri nos auxilia bastante. Desde os 12 anos, cuida da minha banca no mercado público. Ele vende mais que eu e sempre prestou contas diariamente. Além disso, todos os domingos, ao encerrar o mercado, meu pai costumava perguntar: "O que você deseja comprar?" Eis que chegava a mesma resposta da semana. Quero levar um bibelô para a minha mãe.

 

Um dia, ela decidiu proibir, pois achava que já tinha bibelôs demais. Nunca recebi salário, mas todo domingo à tarde ele sempre me dizia: - Kico, aqui está o dinheiro do ingresso para o matinê e um valor para que você possa adquirir outras revistas (gibis). Evite comprar essas revistas de conteúdo pornográfico.

 

Foi inútil, já que possuía uma enorme coleção que, um dia, ao vasculhar meu armário, descobriram.

 

Foram muitos anos em que apoiei meu pai e, consequentemente, ele também ajudava minha mãe nas atividades de costura. Meu pai era excelente em fazer bainhas de roupas, mas como suas mãos eram grandes, nunca se atreveu a mexer nas máquinas de relógio de pulso. Mas poderia convidar para outras atividades, pois estava sempre disponível. Olá, meu querido pai, como eu sinto sua falta.

 

Mas naquela época pau é pau e pedra é pedra. Eu passei por muitas dificuldades, mas nada disso foi em vão. Crescemos compartilhando o espaço com galinhas e nossos cachorros. O banho era feito em bacia. Então, tudo se transformou. Constantemente escuto a mesma reclamação das mães de hoje: - Meu filho não pode consumir leite nem qualquer alimento que contenha lactose! Se espirrar, levaremos ao pediatra. Essas coisas nunca nos foram ditas. Acho que fomos verdadeiros filhos baguais.

 

Não há nada de fictício nesta narrativa! Vários filhos vivenciaram esses acontecimentos. Os mais velhos sabem exatamente do que estou falando. Anos penosos em face da atualidade. É claro que são situações distintas. Fomos mais felizes.

 

Recordo-me das fogueiras de São João que estavam na calçada de casa. E os moradores ao redor não faziam nenhuma queixa! Pelo contrário, eles estavam envolvidos! Nos Natais, minha mãe montava a árvore e colocava os presentes embaixo dela. Devido à ausência das opções disponíveis atualmente, não havia brinquedos manufaturados. Então a questão era o conjunto de camisetas de um time de futebol, acompanhado de um abraço apertado. Existem tantas histórias que poderia compor um livro. Mas vamos nos limitar a isso por enquanto, assim teremos um tema para um próximo artigo.

 

Sou imensamente grato por tudo que, de alguma maneira, me foi ensinado.

 

Que meus pais encontrem a paz eterna e, quem sabe, em um futuro próximo ou distante, teremos a oportunidade de nos reunir novamente para um abraço caloroso, onde poderei compartilhar as histórias que marcaram as  nossas vidas, falar sobre os netos, os parentes e relembrar os momentos felizes do passado.

 

Por último, onde quer que vocês estejam, que encontrem a paz, e aqui na terra, dentro de mim, permanece uma profunda saudade!

 

Autor: Sidnei Duarte

 
 
 

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