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O RELÓGIO DOS CÃES

contosdosidao
6 de out. de 2025
3 min de leitura

Atualizado: 30 de ago.


Eis uma grande pergunta que me surgiu ao conviver com um cão muito esperto. Será que os cães têm um relógio escondido em seu corpo?

Não! Até que provem ao contrário.

Meu cãozinho o Dudu, como é chamado, é de uma raça especial daquelas não definidas. Um vira-latas de porte grandão. Dudu faz coisas que as pessoas não entendem e não conseguem acompanhar, nem as mais astutas.

Vamos ao caso diário. Dudu dorme em duas camas, uma caminha no lado externo do meu quarto e outra dentro do aposento. Até aí não há nada de anormal.

Acontece que durante a noite eu falo com ele:

- Chegou a hora de nanar.

Na mesma hora, ele busca um dos seus brinquedos e leva para a minha cama. Até aqui sem novidades. A maioria dos cachorros faz a mesma coisa. Qual a diferença do Dudu aos demais? Ao apagar as luzes, ele pula na minha cama e deita no meu lugar. Então tenho que explicar que esse é o meu lugar para dormir. Imediatamente ele se dirige ao seu lugar, sempre ao meu lado, para começar a cochilar.

E por que Dudu é como um relógio?

Pela manhã, ao acordar e sair da minha posição na cama, ele a assume. Acho que por gostar muito de mim ele fica deitado até às 10 horas da manhã, quando ele troca de cama e vai para a sua caminha no lado externo do quarto. Dudu fica por lá esperando o tempo passar.

Após esse horário, ele sai daquele ponto e chega mais próximo de onde estou. Precisamente às 11 horas, ele olha para mim e para uma gaveta da mesa do escritório, na saída do quarto. Nessa gaveta, eu guardo alguns de seus biscoitos.

O relógio bate 11 horas, e Dudu fica olhando para mim e para a gaveta. Pego alguns petiscos imediatamente, enquanto ele se senta junto à minha cadeira de escritório e levanta as duas patas dianteiras como se dissesse: “chegou a minha hora”.

Divido manualmente o biscoito, e ele troca de posição para receber os pedaços que eu havia dividido. Nesse segundo momento, ele fica sentado junto à minha cadeira, levanta uma pata em minha direção e fica aguardando os próximos pedaços dos saborosos petiscos. Ele come tudo. Alguém há de perguntar: Entendi e, além disso, ele faz o que?

Sempre que vou sair, eu converso com ele:  “Dudu, não faça isso e aquilo aqui dentro de casa, nem abra o portão do corredor (porque ele tem o costume de abrir com a força do corpo)”. E indico: “Dudu, quando retornar vou lhe dar um brinde”.

Ao retornar, verifico se está tudo certo. E, se percebo que tudo está no lugar, é a hora do brinde. Entre as 17h30min e 18 horas a história da gaveta se repete. O brinde nada mais é do que outro petisco. E, no outro dia pela manhã, a mesma cena se repete.

O mais interessante disso tudo é quanto aos horários estabelecidos por ele. Sempre ele adota, com muita precisão, 11 horas da manhã como referência. Sem alarmes, nem apitos ou bipes.

Claro que Dudu se acostumou com essa rotina. O mais impressionante é que isso ocorre semanalmente nos mesmos horários dia após dia. Seu relógio biológico nunca falha, com ou sem bateria ou pilha, faça chuva ou faça sol.

Infelizmente, Dudu ainda não fala, mas é como ele se expressasse com os olhos e com a pontualidade canina.

Muitos vão dizer que é coincidência ou automatismo animal. Certo, e a precisão correta de um relógio suíço, como você me explica?

Dudu é um cão sem igual!


Autor: Sidnei Duarte

Imagem por FreePik


 
 
 

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