O PALHAÇO NO VELÓRIO!

Um célebre palhaço recebeu um convite para se apresentar em uma cidade do interior. Depois do show, que mais uma vez foi um sucesso estrondoso, o artista foi para o camarim e foi tomado por uma profunda tristeza!
Era a sua primeira viagem sem a sua inseparável companheira! Sem o seu imenso e eterno amor! Que, em razão de uma enfermidade grave, estava internada!
Além da tristeza, sua consciência pesava! Responsabilidade? De que se trata? Ter que deixá-la sozinha em um hospital!
No entanto, como seu sustento dependia dos shows que realizava e, devido ao aumento das despesas com o tratamento e a internação da esposa, ele precisava mais do que nunca apresentar um espetáculo atrás do outro. Às vezes, chegava a acontecer dois no mesmo dia!
No entanto, assim como um palhaço deve ser feliz, mesmo com o coração partido, durante suas apresentações, ele ocultava sua dor, como sempre, atrás de um pequeno nariz vermelho e de sua maquiagem.
Então, regressemos ao local onde encontramos nosso palhaço, que se encontra no camarim!
A sua vontade era permitir que as lágrimas caíssem livremente! Chorar até purificar a alma! Até que sua melancolia se ocultasse sob esse curso de lágrimas que desejava derramar! Contudo, isso não era possível, pois o público tomou seu camarim e o envolveu em abraços, parabenizando-o pelo maravilhoso show que havia apresentado! A ironia da existência: sorrindo externamente enquanto se chorava internamente!
Então, fez menção de seu mestre e ídolo: Charlie Chaplin! Recordou sua célebre afirmação: “Gosto de caminhar na chuva, pois se eu chorar ninguém notará minhas lágrimas”!
Como o céu estava nublado, com previsão de chuva, decidiu dar uma volta na rua. No entanto, para sua infelicidade, a chuva não caía e ele não conseguia chorar!
Andou... andou... até encontrar uma casa totalmente iluminada, com muitas pessoas entrando. O curioso se aproximou e descobriu a razão pela qual havia tantas pessoas ali. Estava tudo muito sombrio e triste! Pensou: "Vou entrar e se eu chorar, ninguém notará!"
Ele entrou com uma expressão séria! Observava as pessoas e apenas balançava a cabeça. Para expressar seu sentimento, sentou-se perto do caixão e percebeu que o falecido era bastante jovem!
Cada visitante que entrava cumprimentava a todos, até mesmo ao palhaço, acreditando que, por estarem tão próximos, também fosse da família.
Após um tempo, ele percebeu que todos diziam a mesma coisa: - Coitado, faleceu como um passarinho!
Essa frase despertou seu interesse. No entanto, já pela metade da noite, após ter chorado como desejava, levantou-se para se despedir. Enquanto saía, um casal se aproximou e fez uma pergunta: - O senhor tem conhecimento da causa da morte desse jovem?
Ele refletiu sobre a frase que escutara e respondeu: - De acordo com o que eu ouvi, se não se tratou de um “fundaço”, foi de uma “congestão de alpiste”!
Virou-se e saiu para a rua, onde começou a caminhar, pois agora estava chovendo!
Uma vez palhaço, para sempre palhaço!
Autor: Coronel
Revisor: Sidão




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