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O CAMINHÃO DE TRIO ELÉTRICO

  • contosdosidao
  • 4 de ago.
  • 5 min de leitura

Em 1970, um cliente nós contratou para realizar um evento no litoral gaúcho.

Fizemos uma reflexão profunda e decidimos realizar o primeiro trio elétrico do sul do Brasil. O cliente deu sua autorização na hora. Dessa forma, nos lançamos na busca de tornar o projeto real.


Detectamos um erro. Não havia qualquer caminhão de trio elétrico disponível.

No entanto, não deixamos de crer. Decidimos que iremos preparar um caminhão de trio elétrico. Eu pensei que isso vai dar trabalho.


O caminhão, assim como a banda e a decoração, não seriam difíceis de conseguir. Precisamos de som e, especialmente, do gerador.

Encontramos uma empresa que fazia locação de geradores. Muito caro...  Fomos à procura de uma nova opção e encontramos uma empresa que possuía o gerador que atendia às nossas necessidades.


No entanto, havia um problema: o gerador não funcionava há muito tempo, mas o proprietário assegurou que seria possível consertá-lo.  Os dias passaram e o gerador não funcionava.  

Agora restavam apenas dois dias até a estreia em um balneário do litoral norte do RS. Embora já tivéssemos atendido a todas as outras necessidades, ainda estava ausente aquele incômodo gerador.


Naqueles tempos, o tri elétrico era tão básico que precisávamos de um caminhão adicional para o gerador, que forneceria energia ao principal.

No dia seguinte, partimos em direção ao litoral para montar o caminhão principal, e assim aconteceu. E quanto ao gerador? Quando nos contatamos, o gerador ainda estava sem energia.

Conforme já foi anunciado pela mídia publicitária, não seria sensato nem viável alterar a data da apresentação inaugural.


Pense na bagunça que seria na empresa se isso não ocorresse; estaríamos sendo mandados embora e o cliente seria perdido.

Havia apenas uma opção de escape. Na empresa havia um funcionário que fazia muito pouco, mas era muito persuasivo (muito persuasivo, uma maneira de dizer que era astuto e argucioso em seus argumentos).


Já estávamos na praia e delegamos a ele a tarefa de solucionar o problema. Ele assentiu de imediato. Ele disse: Pode confiar em mim. Eu fico de olho nesse assunto.

Para conseguir alugar um gerador da empresa mencionada, seria preciso fazer um cadastro e pagar a maior parte do valor, o que possibilitaria o uso de um caminhão para o transporte.

Naquela época não havia celular e não recebemos nenhum retorno sobre o assunto. Finalmente, o dia da apresentação chegou, que estava marcada para uma sexta-feira à noite.


Todo o planejamento estava em vigor, mas ainda faltava a energia vital necessária para que o espetáculo acontecesse. Não houve nenhuma informação sobre o segundo caminhão e o gerador até às 17 horas.

Eu achei que estávamos enfrentando problemas. O cliente que estava presente durante a operação questionava a cada minuto o que estava nos dificultando.

Como era no começo do verão, a única estrada estava repleta de carros indo para a praia.


Estávamos reduzindo as expectativas. Se isso for resolvido, não haverá tempo para a apresentação programada para as 20 horas.

Por volta das 19 horas, escutamos uma sirene da polícia se aproximar do lugar onde tudo estava sendo organizado. A viatura da polícia está à frente do caminhão que transporta o gerador, fazendo a função de batedor. O motorista era o nosso funcionário que acompanhou o técnico do gerador.


Ele iniciou o movimento do caminhão, posicionando-o atrás do caminhão principal, fez a ligação do cabo e ligou o gerador.

O nosso colaborador que estava de bermuda desceu do caminhão e exclamou: Eu sou o cara!!! 

Mas como conseguiu arranjar o gerador?  O caminhão que era de uma empresa de baterias para carros?

O funcionário sorriu de orelha a orelha e disse: Eu fiz um alvoroço danado para conseguir o gerador e peguei emprestado o caminhão da empresa do meu pai. Ah, ah, ah, ele ignora que alcancei isso porque estava em jogo tudo ou nada.


Depois, teremos a oportunidade de observar o que ocorrerá. Este trabalhador atuou como locutor e subiu no caminhão principal, que já estava abastecido com energia. 

Mas quem é o motorista do segundo caminhão? A gestão da nossa empresa me encarou e declarou: Agora isso é sua responsabilidade!


Após todo o trabalho árduo, não conseguia refutar. Para ajustar a distância do cabo entre os dois caminhões, selecionei dois produtores e, pontualmente às 20 horas, começamos a apresentação, sempre visando à satisfação total do cliente.

O nosso apresentador já havia tomado várias cervejas e estava bastante emocionado. A apresentação chegou à hora do show com o som da banda. Era algo que muitas pessoas esperavam e realmente aconteceu. Certa vez, o locutor se deixou levar pela emoção e subiu no teto do caminhão onde estava o gerador, começando a pular, o que resultou em um amassado enorme no teto.


A promoção tinha um nome, e a proposta era distribuir melancias, algo que nosso locutor fez ao entregá-las ao público, juntamente com camisetas da promoção.

Foram realizadas com muito êxito durante os três dias do feriado.

Finalizado. Agora chegou o momento de desmontar toda a estrutura que foi montada e devolver o gerador, assim como o segundo caminhão cujo teto está amassado.

Informei à diretoria da empresa que talvez fosse possível voltar à capital dirigindo o caminhão, mas que a entrega não ocorreria na empresa do pai do nosso funcionário/locutor. O locutor/funcionário falou: Pode ficar à vontade, vou com você na entrega, começando pelo gerador e, depois pelo caminhão.

Olhei com atenção ao meu redor e pensei: Isto vai dar mau!  Quero acompanhar de perto essa entrega.


Ao chegar na empresa de seu pai, ele o encontrou em um estado de completa fúria: - Você roubou meu caminhão! Estou apenas refletindo. O teto do caminhão está rebaixado.

Eu vi o funcionário que havia roubado o caminhão e sussurrei: - Mal posso esperar para ver como você vai sair dessa. Ele respondeu de forma imediata: - Preste muita atenção em como você deve se afastar do jogo quando a bola sete está na mesa.

Eu paguei para ver. O pai irado berrou: "Tu é um FDP, miserável."  Eu já liguei para a polícia.


Fiquei sem reação nesse momento. Entretanto, o vilão encarou o pai com raiva e retrucou: - Pai, pense em dez mil pessoas aplaudindo o nome da sua empresa. Era complicado conter aquela massa. Então, as pessoas em um estado de consciência alterado subiram no seu caminhão, e o que o senhor está observando aconteceu.

O pai: - Sem dúvida, foi exatamente isso que ocorreu. Se isso realmente aconteceu, é uma propaganda de excelente qualidade e sem custo algum. Não se preocupe, eu vou enviar o caminhão para reparo, mas não assumo mais nenhuma responsabilidade financeira em relação à mídia.

- Claro que não, pai.

Eu fiquei surpreso. Deixamos o caminhão e levei o coitado até a firma. No caminho, ele zombou de mim. – Veja, desprezível, como é simples escapar da confusão.


Para não alongar demais a narrativa, houve certos detalhes que realmente deixaram os arrepios à flor da pele. No entanto, conseguimos sair sem um único arranhão.

Após essa ocorrência, existem outros contos que mencionam esse funcionário que consegue amarrar um nó em pingo d'água.

Mas para todos os que viveram aquele episódio, foi um alívio ver aquele caminhão chegar, sob a proteção da polícia e carregando o gerador.

Sem dúvida, essa pessoa é muito ousada!!!

 

Autor: Sidnei Duarte 

Relator: Ulisses Duarte  

 
 
 

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